A música no Tribal Generation
Se fossem abertas hoje as inscrições para um festival onde seria eleita a música representativa do Tribal Generation, estaria deflagrada uma guerra entre irmãos. Levi ia querer pop, Rubem ia querer samba, Judá faria um reggae, Simeão viria com um rock pesadão, Zebulom com uma salsa, e jamais chegaríamos a um consenso.

Cada tribo tem sua música, mas todas as tribos juntas não têm uma música que as represente, nem jamais terá. Ter uma música que fale a linguagem de todas as tribos seria o mesmo que dizer que existe uma etnia que representa todas as 24 mil etnias do mundo. Etnia e música têm muita relação, pois algumas delas são conhecidas justamente por sua música. Observe como a coisa é mais complexa do que imaginamos.

O mundo é dividido em 9 raças geográficas (ameríndios, polinésios, micronésios, melanésio-papuas, australianos, asiáticos, europeus, africanos e indianos) e 32 raças locais (europeus do noroeste e do nordeste, alpinos, mediterrâneos, iranianos, africanos do leste, sudaneses, bantos e negros das florestas, túrquicos, tibetanos, chineses do norte, mongolóides clássicos, asiáticos do sudeste, hindus, dravidianos, índios da América do Norte, índios da América Central, caribenhos, índios da América do Sul, fueguinos, lapões, negrilhos, pigmeus africanos ou negritos, esquimós, ainos, murraynos, carpentarianos, bosquímanos e hotentotes, negros da América do Norte, negros da África do Sul, ladinos, neo-havaianos).

Existe etnia que usa uma só palavra para dizer “dançar” e “cantar”, pois cantar implica dançar e vice-versa. E mais. Existe etnia que a própria língua é musical. As pessoas falam cantando. Imagine tentar agradar a todas essas raças com apenas um estilo musical. Impossível!

No Brasil, por exemplo, existem diferentes ritmos nas culturas regionais (sem contar os das 253 tribos indígenas espalhadas pelo País): frevo, samba, samba-enredo, baião, maracatu, catira, forró, choro, pagode, carimbó, samba-canção, bossa-nova, sertanejo, moda de viola, choro, xote, valsa, modinha. Se formos a fundo em cada região, constataremos que esses estilos rítmicos se subdividem numa infinidade de outros. E por aí vai.

Chegando ao intrincado mundo das tribos, então, as preferências se multiplicam e se fusionam de tal forma, que a música se torna híbrida. Num ufanismo filosófico, posso até crer que um dia haverá um estilo musical para cada pessoa. Tente agradar a essa turma toda.

Devido ao pouco conhecimento que se tem a respeito das tribos, em geral, os tribais são definidos com uma palavra: malucos. Eles não são malucos. Cowboys, fanqueiros, roqueiros, motociclistas, hip-hops, artistas, músicos, não são farinha do mesmo saco. Cada uma dessas tribos tem seu estilo, sua música, suas particularidades, suas idéias, seus objetivos.

Entre os ditos “normais”, também existem as tribos, apesar de não estarem institucionalizadas: os adolescentes, as meninas, os homens de negócio, os músicos, os profissionais em alguma área, o pessoal do coral, o quarteto, a banda tal - as “panelas”. Pode-se dizer até que são tribos mais radicais que as denominadas radicais, pois são resistentes a misturas.

Sendo assim, quando reunimos as várias tribos nos encontros do Tribal Generation, seria interessante ter-se representações do maior número possível de expressões tribais, tanto dos radicais caretas quanto dos radicais vanguardistas. Cantaríamos rock, samba, hino, e teríamos dança, coro, todo tipo de cabelo e roupas, muitas cores, gente de terno e gravata, homens e mulheres, novos e velhos, crianças. Cada tribo do seu jeito. Ser tribal não é coisa de jovem maluco. É coisa de gente que tem identidade. Algum resquício perdoável de preconceito até pode existir por parte dos caretas, mas dos vanguardistas, nem pensar.

Quando o papo é música, é necessário entender que Tribal Generation não é só rock pesado, cabeludos batendo cabeça, gente de tatuagem e brinco. “Os caretas do Senhor”, também é tribo que merece respeito, e deve ter direito de expressar. Os tribais não se sentem isolados nas igrejas dos “caretas”? Pois bem. Não faça o mesmo quando os “caretas” estiverem no meio dos tribais. Isso é pagar com a mesma moeda. Pecado não se paga com pecado, mas com perdão e amor. “Se depender de vós, tende paz com todos os homens” - Romanos 12:18.

Quer queiramos ou não, as idéias utilizadas pelos tribalistas para se tornarem tribalistas vieram dos caretas do passado: a filosofia, a música, a liberdade de expressão, os costumes, a religião. Não acontecemos por geração espontânea. Somos produto da luta de gerações passadas. Na Torre de Babel fomos uma tribo só, e nunca deixamos de ser. Evoluímos, evoluímos, evoluímos, para descobrir que todos queremos a mesma coisa: estar juntos, apesar das diferenças. Tal qual uma família.

Portanto, vamos fazer do Tribal Generation, um verdadeiro encontro das tribos radicais e vanguardistas, para a glória de Deus. Trocar experiências, fortalecer a fé e renovar e fazer alianças. Na Festa das Tribos, curtir todo tipo de música, de expressão e, quiçá, um “samba fanquiado”, um “hino roquizado” e um “street balé”. Que não haja espírito de divisão, mas de unidade. Que nosso olhar, independente da tribo a que pertencemos, esteja em Jesus, o nosso senhor e salvador. Jesus não vê roupa, tatuagem, terno, gravata, esse ou aquele estilo de música. Jesus vê o coração. Fui.

 
Atilano Muradas é jornalista, teólogo, escritor, pastor, músico, produtor musical, militar do Exército. Contatos: Email: atilanomuradas@uol.com.br. Site: www.atilanomuradas.com.br.
 
 
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