Olgálvaro Bastos Jr
 
 
Lições com um peixe chamado Botoado
 
Bem para que possam entender a lição, tenho que contar uma pequena história de 4 dias. Já algum tempo eu vinha protelando um convite de minha avó Zezé para uma pescaria. Bem, neste último convite senti de Deus que era preciso priorizar este tempo com ela e alguns outros familiares muito amados. Saímos em uma quarta feira em direção ao Rio Formoso, no Estado do Tocantins, a 1000 km da minha cidade Uberlândia. Estávamos em direção a uma nova aventura e a minha oração diante do Pai era: Pai que nestes dias o Senhor possa me ensinar, lições não apenas das coisas naturais, mas acima de tudo lições do reino de Deus.

Minha vovó é uma pescadora das mais apaixonadas e habilidosas que conheço, o que serviria de inspiração, mas também de muito desafio, já que os seus padrões de pescaria são bem mais altos e suas histórias imbatíveis em nossos dias. Ela e outros tios ali presentes acostumados a tempos de desbravamento do centro-oeste brasileiro, onde há 35 anos atrás havia abundância de peixes, de toda espécie e tamanho. Meus primos, Tiago, meu filho, e eu conhecíamos tais peixes apenas das histórias contadas, de fotos e alguns filmes ainda “super oito”, que registraram tais aventuras. Para nós, qualquer peixinho de um palmo já era uma grande conquista. Bom, mas o ensino de Deus ainda estava por vir, a lição que traria revelação e confirmação sobre as realidades da nova geração e sua forma.

Estávamos em um pesqueiro, já à noite iluminei, a grade que continha a ceva para os peixes, e o vulto de um grande peixe que comia daquele trato, apareceu no foco da lanterna. Tentamos colocar o anzol o mais próximo possível da boca do peixe, para que pudesse abocanhá-lo, mas não obtivemos sucesso. Sugeri, então, que meu primo Igor buscasse o puçá (espécie de coador ou rede de apanhar borboletas). Assim ele o fez e alguns minutos depois, lá estávamos nós, celebrando nossa conquista, enfim pegamos um grande peixe, com 78cm.

Mas ao chegarmos na sede do rancho, alegres por nossa grande pescada, fomos surpreendidos com o total desprezo dos antigos pescadores, aqueles acostumados aos GRANDES E BONITOS PEIXES do passado, que simplesmente diziam: - Ahhh um BOTOADO, isto não é peixe, deveriam tê-lo jogado de volta no rio. Tudo isto por causa da aparência do peixe, que realmente tem a cara meio esquisita, com uma carapaça bem estranha, um dorso cheio de espinhos e uma boca muito pouco convencional. Na verdade parece meio pré-histórico, lembra aqueles Stegosaurus. Para eles acostumados à pesca abundante do passado onde se escolhia qual peixe, qual tamanho, se escolhia pela beleza, pela qualidade da luta entre pescador e peixe, este peixe feio de aparência pouco amistosa, não era peixe. Mas para nós que não tínhamos aquele histórico, era um peixe. Aliás, um PEIXÃO de 78 cm.

Jesus nos tem chamado para sermos pescadores de homens, e tem homens de todo tipo, com aparências das mais estranhas, mas que são homens. A dificuldade dos antigos pescadores em valorizar a pesca da nova geração é que não compreendem que os tempos são outros, que não se pode julgar pela aparência. E que o que deve ser ensinado é a arte da pescaria, que envolve paciência, perseverança, trabalho duro, e novas técnicas e métodos, já que o peixão que pegamos foi em um puçá!

O nosso desafio como Nova Geração é aprender com a sabedoria dos anos de nossos mestres e anciãos, sem deixar que a forma, que eles tem em mente, restrinja-nos a fazer a obra de Deus em nossos dias. Que possamos sim, em Deus celebrarmos nossas pescarias, nos alegramos por todos os peixes que Deus trouxer a nossa rede. Mas vale uma alma que o mundo todo! Mesmo aqueles de aparência estranha, muitas vezes bem diferentes dos peixes que nossos pais valorizam, aqueles que são rejeitados e desprezados pela sociedade, aqueles que vivem as margens do aceitável, do sociável, aqueles que dificilmente são chamados às festas de aniversários dos peixes comuns e bonitos aos nossos olhos. Aqueles que, para serem alcançados, precisamos ir a lugares pouco atraentes e que muitos julgam não serem dignos. Para isto, para esta tarefa Deus está levantando um novo exército de pescadores, corajosos como nossos pais, mas afinados e ligados, a uma nova cultura, com novos métodos. Precisamos de congregações que não desprezam nem menosprezam aqueles que precisam ser alcançados e discipulados, para que sejam agentes de Deus para esta geração, que muitos pensam não serem Peixes!
 
FotosColunas Notícias AvançadoExtensivoIntensivo Modular Perguntas FrequentesQuem Somos Visão